
O título parece nome de samba-enredo em homenagem ao Carnaval, mas o assunto é adolescência. Embora ainda não me sinta uma Adulta com A maíusculo, minha adolescência já passou há algum tempo. Em breve, faço 19 anos e pode parecer loucura, mas lembro exatamente da epifania dessa transição da adolescência para um outro estágio ao qual ainda não sei o nome.
Fazendo a limpa no meu quarto encontrei as agendas de quando era adolescente. A intensidade dos textos ia do fútil ao teatral em poucas palavras. As cartas das amigas, jurando que tudo era eterno. Os sonhos mais malucos, a histeria com os ídolos, nossa, tudo era pra ontem e ia durar para sempre.
Não deve ser uma característica só minha. A adolescência é sofrida. Mas só quem já passou pela fase sabe que ser doída não é necessariamente ruim. Afinal, é a época das primeiras vezes. Da experimentação. Tudo dói, tudo irrita e ninguém compreende.
A facilidade do choro, a superficialidade do discurso apaixonado:
— Eu te odeio!
— Nunca mais quero te ver.
— Eu te amo.
Sem falar nas barbaridades ditas aos pais. Coitados. Ter que lidar com um dramalhão mexicano, com um enredo que vai de um primeiro amor que juramos ser o último até uma greve de fome com promesa de durar até entramos na faculdade.
Aos 13, 14, 15… não há amanhã. O choro, o sofrimento, o amor, a felicidade, o ódio. Tudo é efêmero. E ainda tem as espinhas e as mudanças corporais. Ah, os hormônios, culpados por sermos uma bomba atômica de emoções durante cerca de uma década.
Remexendo nas minhas lembranças adolescentes chegava a ficar vermelha de vergonha ao ver o quão idiota eu estava sendo. Não sou expert em sentimentos, mas pelo menos hoje eu sei que nada é o fim do mundo. A dor passa. O amor-pra-vida-toda não passava de uma paixonite. O para sempre, como diz a música, sempre acaba.
Nem tudo é sofrimento. Eu tive uma ótima adolescência. A vivência gostosa com os amigos, as borboletas no estômago das paixões, o medo das decisões e da incerteza do que vem pela frente. Nada é à toa, é como um cursinho nos preparando para a real life.
Tempo bom, sinto saudade.
Nossa Mari, vc resumiu meus pensamentos... Ao ler seu texto me deu uma sensação muito boa de que tudo, sem exceções ou arrependimentos, valeu a pena! Nossa, parabéns. Que texto lindo! :)
ResponderExcluirMari nem sabia que você escrevia bem assim..
ResponderExcluirparabéns pelo texto muito bacana
e é tudo realmente verdade aquela época foi realmente engraçada e de transformações. =)